terça-feira, 12 de junho de 2012

[POEMA] Solidão Provisória

O pior não é ficar sob a calha
Ouvindo a chuva martelar tão forte
Que parece ter esperado por séculos.

O pior não é passar a tarde esperando o chamado
Daquele que não vem;
Não é ouvir as palavras duras,
Trajadas de piadinhas, eufemismos terapêuticos.


O pior não é o medo, calmaria ou tragédia,
Não é ver os passarinhos partindo, sem poder ir junto,
Não é o risco do dia a dia.

O pior é olhar para o lado
E não encontrar quem ouça.
Os poucos que poderiam
Estão ocupados com seus próprios afazeres
Ou rindo de algum coitado que ludibriaram
Contando vantagem por algum golpe
E maquinando novos planos.

O pior é querer fugir da solitária e ser forçado a ficar
Talvez porque não confie em mim
Ou confio demais, quem sabe?

Talvez o meu grande Amigo,
O que trouxe a chuva, a calha, a fala, as tragédias,
A solidão e os que dela se nutrem.
Que sabe, Ele sabe?


Aonde devo ir? Que faço agora?
Diante de águas calmas, aonde vou
Parece tão calmo, tudo azul
Gotas de chuva brincando em meu rosto.


Desejaria apenas ser eu.
Ninguém nos carros, nos bancos, nenhum passante na rua
Apenas as águas e eu, a lagoa e a chuva
Uma refletindo e uma turvando,
Réplicas perfeitas dos humanos que me cercam.
Só que as águas não sabem o que fazem.


Confusão brota num fim de tarde chuvoso.
Até esqueci-me da solidão.
Estará perdida no fundo dessas águas,
Presa nos aguapés, levada pela chuva?
Ou estará apenas escondida, travessa,
\por trás de meus olhos,


Esperando que se desviem da lagoa,
Devaneando, para emergir outra vez?

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