Lá vai o andarilho
No passo trôpego e borracho
Vai pelo caminho, maltrapilho
Ninguém sabe que ventos o levaram ali.
Perdeu a mulher e dois filhos
Na casa do morro que desmoronou
A cama onde nasceram Pedro e Paulo
Agora é seu túmulo, junto à mãe.
Perdeu o emprego, o andarilho.
Tentando salvar a família, desandou.
As roupas novas do trabalho,
Esfarrapadas de chuva e lama,
Caminham sem rumo, no maltrapilho:
Ziguezagueando no acostamento
Ele abusa da sorte que nunca dura.
Um bêbado, voando no chão,
Faz voar o andarilho
Dez, doze metros encosta abaixo
Era uma vez um andarilho
Mais uma porta fechada em cova rasa indigente.
Sonhava morar na praia, mulher e filhos
Um cão, dois gatos, cantar repentes.
Sonho morreu na sacola rota do maltrapilho:
O bilhete premiado enterrou-se junto,
Na cova rasa anônima.
Morreu triste e louco, o andarilho,
E o bêbado que voava saiu do cerco em três dias
Dorme tranquilo, na cama de dossel
E não se lembra do maltrapilho no caminho.
*Esta é do ano de 2005, escrita logo após a visão do misterioso andarilho, em uma das curvas do caminho.
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