quarta-feira, 14 de março de 2012

[POEMA] Súbito

Talvez eu termine os meus dias só,
Num quarto escuro frio, sentada a um canto
Ninguém do lado de fora, nem aqui dentro.
Talvez eu nunca tenha filhos,
Nunca receba flores,
Não inspire como fui inspirada
E nenhum poema fale de mim,
Na prisão.


Quem sabe meu coração dará um salto
E, nesse único, posso perder-me?
Talvez o meu nome seja apenas gravado
Na lápide congelada. Que fiz da vida?
Sendo a fraqueza a qualidade do covarde,
Ainda deixei-a vencer. Quem sou?
Encarcerada.


Por que deixei o cansaço vencer?
Por que fui montanha?
Por que não chorei uma só vez
Nem fui mais forte e feliz e brava?
Por que provo o vazio e escuridão
E me sinto vigiada?


Não é culpa do anjo, se baixei a guarda.
Será dos corações diferentes?
Uma declaração, dois beijos,
Uma morte inexplicada e o meu sonho acaba.
Cá estou novamente, tentando descrever
O que ficou detido no coração
No mesmo velho banco de pedra,
Criado por cinco horas de sono
E dez minutos de inspiração.

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