E ficou para trás o último abraço
Quando fiz a curva na outra estação
Seus olhos ardiam, como se fosse verão
Sumiu o trem, rompeu-se o laço.
Vieram as flores, esperanças e amores
Estribilho de pássaros recém-nascidos
Seus olhos choviam, perdidos nos trilhos
Nas pedras e folhas, no riso e nas dores.
Marcas de neve na paixão comedida
Cicatrizes que ligam os corpos afastados
Saudade que congela amores abreviados
No quarto escuro, luz fraca e despedida.
No arrastar das folhas amareladas,
As palavras sussurradas e jogadas ao vento,
E o desejo de salvar, momento a momento,
O amor de verão em estações descarriladas.
Um amor de verão que renegava seu tempo,
Paixão de dezembro abreviada nas curvas,
Trilhos de ferro e miragens de janela,
No beijo frio, o calor dos olhos dela,
No último aceno, as imagens mais turvas,
E ainda o desejo de salvar cada momento.
Deixei no amor a última estação.
De 27/04/2011
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