domingo, 18 de março de 2012

[POEMA] Dexei o amor na última estação

Deixei o amor na última estação
E ficou para trás o último abraço
Quando fiz a curva na outra estação
Seus olhos ardiam, como se fosse verão
Sumiu o trem, rompeu-se o laço.


Vieram as flores, esperanças e amores
Estribilho de pássaros recém-nascidos
Seus olhos choviam, perdidos nos trilhos
Nas pedras e folhas, no riso e nas dores.

Marcas de neve na paixão comedida
Cicatrizes que ligam os corpos afastados
Saudade que congela amores abreviados
No quarto escuro, luz fraca e despedida.

No arrastar das folhas amareladas,
As palavras sussurradas e jogadas ao vento,
E o desejo de salvar, momento a momento,
O amor de verão em estações descarriladas.

Um amor de verão que renegava seu tempo,
Paixão de dezembro abreviada nas curvas,
Trilhos de ferro e miragens de janela,

No beijo frio, o calor dos olhos dela,
No último aceno, as imagens mais turvas,
E ainda o desejo de salvar cada momento.

Deixei no amor a última estação.

De 27/04/2011

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