Vi o vento sacudir a velha árvore
Fazendo cair as folhas mortas
E depois arrebatá-las para longe dali.
Vi luzes sendo apagadas,
Tendo iluminado ambiente mais morto que cova
E serem reduzidas a pó.
Saltaram minhas dores arraigadas
Mesmo a morte, a morte evita
E elas partiram fingindo-se doces.
Vi sumirem as minhas cores,
Vi a escuridão que me cercava,
Contemplei o cinza da solidão que me derrubou.
Vi meus amores ruírem, desfeitos,
Como tricô inacabado, quando se puxa um fio,
E minha vontade desistir dentro do peito.
E quando já nada restava de mim,
Vi novas folhas nascerem na velha árvore,
Vi raios quentes brotarem da luz,
Senti que as dores eram inúteis.
Feliz, admiti que até no cinza há par de cores,
Senti novas esperanças nascerem
No peito que eu julgava derrotado.
Tudo porque aprendi a fechar os olhos,
Obstruir os ouvidos,
Calar minha voz.
Senti que sentiria falta de mim
E que nada neste mundo paga um coração feliz,
Uma alma cantante,
Um pensamento livre.
Como fênix, não me destruí:
Repaginei.
Assim, não fugi dos meus erros:
Consertei.
E não hei de cometê-los outra vez.
Sou quem sou,
Quem fui e serei,
Sendo apenas eu e meus botões reciclados,
Antes, cinzentos e tristes,
Hoje, roxo berrante com estrelas amarelas!
Sou mais que folhas mortas arrebatadas
Mais que luzes apagadas
Que dores arraigadas
E um tricô desfeito.
E quando posso reconhecer, posso transformar
Renovar, renascer, revolver, refazer!
Como fênix, que não desaparece,
Mas adormece com a alma tranquila,
Sabendo que, hora ou outra,
Estará de volta, bela e refulgente,
Brilhando sobre outras árvores,
Debaixo do mesmo sol
Novas dores, novas cinzas, novos corações
Naquele que renova todas as coisas.
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