Quisera eu ter nascido passarinho
Viver mais amores, ser poupada das dores
De ver homem matar mulher e criança
Ou ver o desabrochar de Hiroshima
Ou ver o Apartheid apartar.
Quisera eu ter nascido passarinho
O bravio desbravar, o céu cruzar aos quatro ventos
Voando sem rumo, sem medo de errar
Enchendo o peito do que só os livres entendem
E, no azul que mergulha em meus olhos, mergulhar.
Quisera eu ter nascido passarinho
Levar meu canto a todo lugar
Sentir que entre céu e terra, o lar é onde a vista alcança
Bradar meu amor em qualquer circunstância,
Sem o peso dos grilhões, saltar, revoar
Mas vejam que crueldade
Homens também matam passarinhos
E, como se tivessem o direito,
Encurralam passarinhos,
Encarceram-nos como brinquedos em formação
E pássaro tem que partir, que o mundo é dele,
A César, o que é de Roma, porque Roma é dele,
Mas os viajantes são do acaso:
Do hoje aqui, amanhã, acolá,
Indo e vindo, tendo o infinito por lar
Sem medo de errar o caminho.
Laerte Lopes
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