Na última vez em que vi o sol dormir
Foi o sono mais lindo.
A última chuva, uma tempestade na alma, levou todo o mal pela ribanceira.
O cheiro da terra molhada embriagava
Tal qual a brisa fria do lago que adormecia, ao cair da tarde,
E o canto do sabiá, na última orquestra do adormecer do dia.
A última vez em que vi os olhos que amava,
O sol já não importava
E o som da chuva nem causou reação.
A terra secou e eu já não sentia a brisa do lago.
O sabiá deve ter ido cantar para outro alguém
Que talvez, como eu ali,
Adormeceria para sempre.
Um espaço para os contos perdidos e a poesia encontrada de This Gomez
sábado, 2 de junho de 2012
[POEMA] Quimera
Quisera eu nunca ouvir criança chorar
Que elas não tenham motivo ou vontade
Afora as lágrimas de felicidade,
Vê-las sorrir o sol até o sol acabar.
Quisera eu.
Sonhos e esperanças trancou num malão
Atirou-o ao mar do mais alto monte
Vergadas as costas, suada a fronte,
Passado matou, lançando à escuridão.
Num mar de desilusão, dor e vagar
No abismo das esperanças feridas
Ouvi-a chorar, desejei que parasse.
P'ra evitar que ali eu também desabasse
Nas más lembranças da infância perdida.
Quisera eu ter só um ombro p'ra chorar.
Que elas não tenham motivo ou vontade
Afora as lágrimas de felicidade,
Vê-las sorrir o sol até o sol acabar.
Quisera eu.
Sonhos e esperanças trancou num malão
Atirou-o ao mar do mais alto monte
Vergadas as costas, suada a fronte,
Passado matou, lançando à escuridão.
Num mar de desilusão, dor e vagar
No abismo das esperanças feridas
Ouvi-a chorar, desejei que parasse.
P'ra evitar que ali eu também desabasse
Nas más lembranças da infância perdida.
Quisera eu ter só um ombro p'ra chorar.
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