sábado, 2 de junho de 2012

[POEMA] Tarde

Na última vez em que vi o sol dormir
Foi o sono mais lindo.
A última chuva, uma tempestade na alma, levou todo o mal pela ribanceira.

O cheiro da terra molhada embriagava
Tal qual a brisa fria do lago que adormecia, ao cair da tarde,
E o canto do sabiá, na última orquestra do adormecer do dia.

A última vez em que vi os olhos que amava,
O sol já não importava
E o som da chuva nem causou reação.

A terra secou e eu já não sentia a brisa do lago.
O sabiá deve ter ido cantar para outro alguém
Que talvez, como eu ali,
Adormeceria para sempre.

[POEMA] Quimera

Quisera eu nunca ouvir criança chorar
Que elas não tenham motivo ou vontade
Afora as lágrimas de felicidade,
Vê-las sorrir o sol até o sol acabar.
Quisera eu.



Sonhos e esperanças trancou num malão
Atirou-o ao mar do mais alto monte
Vergadas as costas, suada a fronte,
Passado matou, lançando à escuridão.




Num mar de desilusão, dor e vagar
No abismo das esperanças feridas
Ouvi-a chorar, desejei que parasse.
P'ra evitar que ali eu também desabasse
Nas más lembranças da infância perdida.
Quisera eu ter só um ombro p'ra chorar.