sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

[POEMA] Se amanhã eu não acordar

Não chorem por mim porque o alívio chegou.
Não muito.

Doem todas as minhas roupas e órgãos bons.
Guardem as fotos em que eu sorri e descartem aquelas em que eu tentei.
Fotografem tudo que eu fotografaria.
Postem todas as minhas cartas pendentes,
- A última lembrança, às vezes, vale mais que todas - 

Publiquem meus livros e contos inacabados
Não derramem meu perfume favorito
Não mudem a estação quando a minha música tocar
Meu material escolar, aos meus irmãos
As bijuterias, a quem interessar.

Destruam meus velhos óculos e lembranças que não quero que guardem
Releiam meus livros favoritos
Amem aqueles que amei
Sorriam, quando souberem que eu sorriria
Não enruguem o rosto, porque eu não gostaria.

Não procurem esquecer
Mas, de uma forma boa,
Lembrem se fui importante para vocês

Façam algo diferente, nesse dia
Não guardem rancor do único culpado,
Que nem culpa tem.

É chegado o tempo e a vida é a ordem,
Ora aqui, ora acolá.
Vida a ser vivida ou abandonada,
Vida que sopra, eleva,
Vida que ficará ali suspensa,
Se amanhã eu não acordar.


* Originalmente postado no Canto e Conto, em 3/11/10, foi o segundo poema mais lido do blog, perdendo apenas para Os Pássaros.


COMENTÁRIOS ANTERIORES



disse...Guria... me arrepiei toda lendo! É você mesma que escreve??? Lindo *-*
Parabéns!!! ps: obrigada por recomendar o Guria ;) 5 de dezembro de 2010 20:08

Gabriela disse... Muito lindo, amiga! Você escreve muito bem mesmo, parabéns! 23 de dezembro de 2010 22:04

[POEMA] Os Pássaros

Ah, como invejo os pássaros.
Asas que descobrem o mundo em círculos perfeitos.
Em formações ou bandos solitários cruzando ares.
Incansáveis.
Como desejo a sina dos insaciáveis
Desbravadores de terras, horizontes e mares
Lépidos viajantes, de paixão e liberdade feitos
Ah, como invejo os pássaros.

Algemas e grilhões, deixei para trás
Esvoaçando o azul em trilhas de plumas
Carregando ao vento as sementes do passado
E do futuro.
Por um breve instante, abrir mão de tudo
Minhas lágrimas, somar ao mar, à espuma
Algemas e grilhões, deixei para trás.

O lar é onde a vista alcança
Não peço muito mais,
Feliz.
Vou descansar no cais,
À sombra de um barco e de esperança.

Vou ao encontro de outra aventura, em breve.
Migro.
Ao encontro de um sopro que minha alma leve.

Em paz.


* Originalmente postado em 20/11/11, no blog Canto e Conto, foi o poema com o maior número de visualizações da história do blog.



COMENTÁRIOS ANTERIORES

Caíque Pereira disse... Nossa This, que poema lindo e profundo, não sabia que escrevia tão bem e nunca tinha visto um poema seu aqui, gostei muito mesmo. Eu já escrevi poemas e até ganhar um concurso no meu outro colégio que tem a cada dois anos, mas parei e me dediquei a escrever livros, e se Deus quiser, irei publicá-los um dia. Apoio sem hesitar se você quiser publicar um livro de poemas, eu quero, gostei muito da sua interpretação como eu-lírico do texto, mas lembre-se, não faz bem viver sonhando e se esquecer de viver. Mas se quiser sonhar, sonhar que está voando, leia um livro bem legal que ele vai te levar às alturas. Beijão! ;* Livros, Letras e Metas   21 de julho de 2011 13:07